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Playlist: Johnny Cash

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Há cerca 10 anos uma notícia castigava milhões de fãs de John R. Cash, ou apenas Johnny Cash.  Em 12 de setembro de 2003, o ídolo sucumbira ao diabetes e morrera. O mestre do Rockabilly e astro do Rock n’ Roll dos anos 50, durante seus 71 anos de vida, teve uma história tão intensa que resultou em duas autobiografias.

Cash nasceu em Kingsland, estado do Arkansas, Estados Unidos, e em 26 de fevereiro de 1932 aos cinco anos de idade já ajudava os pais, fazendeiros pobres, na lavoura em DyessColony onde moravam. Enquanto cultivava, sua família costumava cantar, o que colocou o garoto em contato com a música desde pequeno. Aprendeu a tocar guitarra com sua mãe e um amigo de infância.

O pequeno Johnny era muito próximo de Jack, seu irmão mais velho. Porém, num certo dia de 1944, Johnny preferiu ir pescar, deixando o irmão sozinho no trabalho. Neste dia, enquanto trabalhava, Jack foi puxado por uma serra de madeira tendo seu corpo quase partido ao meio. O garoto sofrera por uma semana antes de morrer e Johnny, por toda sua vida, nunca escondeu o quanto se sentia culpado pela tragédia.

Entrou para a Força Aérea Americana e foi enquanto servia na Alemanha, bem antes da fama, que Cash compôs aquele que viria ser um de seus maiores sucessos: Folsom Prison Blues.

Assim que voltou pra casa, casou-se com Vivian Liberto, com quem teve quatro filhas. Mudaram-se para Memphis, Tennessee, onde ele vendia ferramentas e estudava para ser locutor de rádio. Nas horas vagas, costumava tocar com alguns amigos, até que um dia conseguiram a chance de mostrar seu talento musical a Sam Phillips da Sun Records, e quem sabe, conseguir um contrato. No teste, o grupo apresentou suas músicas, porém, a maioria no estilo Gospel, decepcionando Phillips que aconselhou Cash a “voltar para casa e pecar, e depois voltar com uma música” que pudesse ser vendida.

Um tempo depois Cash voltou aos estúdios com a banda “Johnny Cash and The Tennessee Three” que contava com o guitarrista Luther Perkins, Marshall Grant no baixo e na guitarra country Red Kernodle. O grupo apresentou as canções Hey Porter e Cry, Cry, Cry que foram gravadas em 1955. Essa segunda música esteve entre as 20 mais tocadas no ranking da Billboard.

Logo, o cantor gravou a canção Folsom Prison Blues que figurou entre o top 5 do Country, e I Walk the Line conseguiu o primeiro lugar.

Enquanto Cash começava a crescer profissionalmente, no início dos anos 60 passou a beber muito e se viciou em anfetaminas e barbitúricos.

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Mesmo viciado e fora de controle, continuava a compor grandes sucessos. Porém o vício acabou causando diversas confusões em seus shows e provocou até mesmo o seu divórcio.

Seu comportamento, muitas vezes agressivo, no estilo Bad Boy que não segue as regras, lhe renderam algumas noites na cadeia (sete prisões no total). A sua mais notável prisão foi em 1965, quando um esquadrão antinarcóticos abordou Cash no Texas acreditando que o músico estaria trazendo heroína do México, mas tudo que encontraram foram anfetaminas escondidas na caixa do violão. Curiosamente, no ano seguinte ele também foi preso por invadir uma propriedade particular para colher flores.

Um dos melhores amigos de Cash em sua vida foi Roy Orbinson (sabe o cara que canta a música do filme Uma Linda Mulher?). Em 1966 Orbinson havia perdido a esposa num acidente de moto e dois anos depois sua casa pegou fogo matando dois de seus filhos. Segundo Cash, esse fato foi um dos impulsos para que procurasse a reabilitação.

Era notável a compaixão de Cash pelos presidiários, o que o levou a fazer diversos shows em várias prisões. Tais shows renderam ao cantor dois de seus álbuns mais clássicos: Johnny Cash at Folsom Prison (1968)Johnny Cash at San Quentin (1969).

A lendária foto na qual Johnny mostra o dedo do meio foi tirada durante o show em San Quentin. Segundo o site Whiplash, o fotógrafo Jim Marshall teria provocado ao dizer: “John, vamos tirar uma foto para o diretor.”,e o resultado foi uma das fotografias “mais surrupiadas da história”.

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Em 1968, Cash se casou com a cantora, compositora, atriz, comediante e autora June Carter, o grande amor de sua vida. O pedido de casamento foi durante um show ao vivo em Londres.

Da união, nasceu o único filho homem dos dois. Johnny Cash e June Carter também lançaram cinco álbuns juntos.

Gravaram juntos também a música Jackson, composta por Jerry Leiber e Billy Edd Wheeler, que fala sobre um casal em crise amorosa. A canção se tornou a marca principal de Cash e Carter, ainda que, enquanto a apresentavam no palco, o amor que se podia notar entre os dois era totalmente diferente daquele na letra da canção.

De 1969 a 1971, Johnny Cash estrelou seu próprio programa de TV na ABC, o The Johnny Cash Show, que apresentava vários astros da música (O vídeo acima de Cash e Roy Orbinson foi extraído do programa).

Como nos anos 70 passou a aparecer publicamente sempre com roupas escuras, foi apelidado de O Homem de Preto. Cash explica um pouco sobre sua preferência na música Man in Black:

Eu visto o preto pelo pobre e oprimido,

Vivendo no lado faminto e sem esperança da cidade,

Eu o visto pelo preso que há muito tempo já pagou pelo seu crime,

Mas está lá porque ele é uma vítima dos tempos.

(…)

Ah, eu adoraria vestir um arco-íris todos os dias,

E dizer para o mundo que tudo está ok,

Mas tentarei retirar um pouco da escuridão das minhas Costas,

Até as coisas serem brilhantes, eu sou o homem de preto.

A partir dos anos 80 a carreira de Johnny deixou de ser tão notada por um tempo. Voltou a ser popular, nos anos 90, com o lançamento do álbum American Recordings, que trazia vários covers de bandas contemporâneas. Em 1996 lançou o álbum Unchained, em parceria com “Tom Petty and the Heartbreakers” que, dois anos mais tarde, ganhou o Grammy de Melhor Álbum Country em 1998. johnnycash_The+Man+in+Black[1]

Em 1997, foi diagnosticado com síndrome de Shy-Drager, uma doença degenerativa. Logo o diagnóstico foi alterado para uma neuropatia autonômica associada com a diabetes.

A partir disso, é fácil notar a tristeza de Cash nos álbuns American III: Solitary Man (2000)American IV: The Man Comes Around (2002)que traziam canções muito mais sombrias e melancólicas.

Entre essas canções, em minha opinião, uma delas merece destaque. É a música Hurt, um cover da banda “Nine Inch Nails”. Difícil de acreditar que se trata de um cover, já que o músico parece depositar nela toda a tristeza de uma vida, toda sua emoção e sinceridade. O desabafo de um homem a beira da morte.

mojo-johnny-cash-feature1[1]O mais interessante é a participação de sua amada June Carter (aos 2’40”). Em maio de 2003, alguns meses depois da gravação do clipe, June Carter Cash faleceu após complicações decorrentes de uma cirurgia no coração. Quatro meses após a morte da esposa, Johnny Cash também veio a falecer devido ao diabetes.

Johnny deixou mais de 1000 canções e 55 álbuns de estúdio, além de seis ao vivo. Deixou sua marca na Country Music americana e até hoje suas canções são usadas para dar mais vida a filmes, seriados e até games. Aliás, costumo dizer que qualquer coisa fica muito melhor com Cash na trilha sonora.

É claro que eu poderia aumentar ainda mais este texto e colocar muito mais curiosidades e fatos sobre a vida desse personagem, que como é fácil perceber, realmente deixou um grande legado. Mesmo 10 anos após a sua morte, sua música e sua arte ainda estão presentes no dia-a-dia de muita gente.Johnny+Cash++June+Carter+Cash[1]

Não imagino uma boa forma de finalizar uma matéria sobre Johnny Cash, sem falar sobreJune Carter, por isso, concluirei com o depoimento do músico, em seu último show, sobre sua amada recém-falecida:

“O espírito de June Carter me cobriu essa noite pelo amor que ela tinha por mim e pelo amor que eu tenho por ela. Nós nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma pequena visita, eu acho, do céu para me visitar hoje essa noite e me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez.”


Adaptado daqui.

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